Valores são remédios metafísicos para dores do mundo.
Mulheres covardemente surradas, mortas, banidas, presas, amordaçadas, caladas. Inconsciente severamente reprimido, segredos guardados a sete chaves. Desfalque. Recalque.
Não ter propostas de governo, não discutir erros e acertos políticos, não trazer estratégias à luz. Denunciar uma possível duvidosa eventual infrutífera invasão de dados, números, bens. Este é um crime. Desviar todo um País de um debate amplo, claro e democrático, sobre coisas que realmente interessam, educação, saúde, emprego, crescimento, pré-sal, falar sério, convidar à reflexão. Subtrair nosso direito a discutir o que é relevante não é crime.
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Amordaçar a democracia é crime. Furtar-me ao debate do que é relevante ao meu povo é furto de seu direito à informação. Usurpar meu espaço na mídia para caluniar, confundir e destruir é usurpação de bens coletivos. Reduzir o objeto do debate nacional é me tornar menos, me fazer menor. Encolher. Diminuir a democracia até que ela caiba na ponta do meu bico longo e duro e com ele triturá-la, reduzi-la a farelo, então a pó, então a nada, para que no nada eu possa reinar, ser rei de coisa nenhuma, é crime contra um povo, um País, uma história para a qual não vou entrar. E comê-la como quem rói osso ruim é a minha desforra. Minha inveja é minha desforra. Ela destrói, rói, desmonta, aniquila, corrói, eu sou fraco, eu sou impotente, eu sou azul e amarelo e feio e pequeno e inseguro e idiota e careca e manco e ardiloso e fútil e vazio e fétido e pútrido e invejoso e infiel como a morte. Eu sou um corvo. Eu sou covarde. Eu me alio ao que vem das trevas, ao que exala podridão, ao que destrói, ao que é oculto, vazio e oco. Eu sou o nada e tomo seu voto, sua carteira, sua liberdade, suas chances, seu futuro.
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A foto foi tirada há alguns anos, vitrine de onde se vende ilusões. Compre minhas mentiras baratas.
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A canção cuja letra reproduzo abaixo é de Jane Birkin e representa um grito pela vida de Aung San Suu Kyi, birmanesa ganhadora de um Nobel da Paz (1991), hoje prisioneira do governo de Myanmar por sua oposição ao regime ditatorial de seu País. Dedico então o post de hoje a todas as Suu Kyis, Sakinehs, Dilmas e a todas as coisas vergonhosas, injustas, humilhantes e cruéis que imputam a elas, às mulheres e à democracia. Mas não é à toa que a justiça tem corpo de mulher e que paz se grafe igualmente no feminino.
Aung San Suu Kyi will be gone and
She'll be on a T-shirt
The marketing's good
Monks are dying
Soldier children crying
We're playing bubbles
With four years old curls
Torture, drug deals
Finance our dreams
Why should we care ?
The stock market's good
Petrol's booming
Generals' wooing
Trucks are looming
In Rangoon
We know your faces
Come out and die
And welcome the
Tourist under the
Burmese sky
But tomorrow Christine and
Me will feel just the same
With our china tea
2008. "Amnesty report". Burma
The eighth to the eighth of eighty eight the people's uprising was bloodily and brutally repressed by the military junte
Twenty years of prison and torture would follow
In 1990 Aung San Suu Kyi and her Democratic Party
Won the general election by eighty three per cent
In 1991 she won the Nobel peace price
Seventy thousand children are soldiers
Ten children out of a hundred don't get to live to five years old
Aung San Suu Kyi will be gone and
She'll be on a T-shirt
The marketing's good
Monks are dying
Soldier children crying
We're playing bubbles
With four years old curls
But tomorrow Christine and
Me will feel just the same
Maybe shed a tear in our china tea
But tomorrow the world will see
We did nothing for Aung San Suu Kyi
2008 Amnesty report, Burma :
Birma is one of the poorest countries in the world but one of the richest in jewels, drugs, teck, petrol, natural gas, Total's pipe lines give the military junte more than a million dollars a day.
Birma has one of the worst records for child mortality and aids.
The international comity of the Red Cross withdrew from Burma because it could not fulfil its mission.
No one knows the numbers of the tortured, the numbers of the dead.
This song is dedicated to Aung San Suu Kyi, her democratic party,
the monks, the students, the people of Burma, the children.
This is a plea For Aung San Suu Kyi.
(Aung San Suu Kyi, by Jane Birkin. Álbum Enfants d’hiver. Capitol Music, 2008)
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Quais são seus valores?




