segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Et la lumière fut


Excitado pelo sabor daquele beijo, dali do sofá mesmo esticou o braço esquerdo até onde sua vontade conseguisse e tssss... apagou a vela.

E a luz se fez.

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Ontem fomos à Sala São Paulo, temporada OSESP 2009, Jornada de Cinema Silencioso. Filme da vez, “Études sur Paris” (França, 1928, por André Sauvage), musicado especialmente para esta jornada pelo compositor José A. Rezende de Almeida Prado, que assim fala de sua arte [transcrevi o trecho abaixo a partir do folder do evento, produzido pela Cinemateca Brasileira]:

“Para o tema romântico, simples de assimilar, eu pensei em Edith Piaf, essa genial cantora parisiense que personifica Paris, como nenhuma outra, aquela Paris maravilhosa que é a Cidade Luz. E Edith Piaf colocaria, se estivesse viva, no palco da OSESP, uma voz um pouco trêmula, uma voz assim de quem está chorando. E essa música chora um pouco”.

O filme mescla uma Paris burguesa, alegremente embriagada por seu verão e seus amantes, e outra Paris, suja, pobre, marginal e feia, sem dúvida mais curiosa que a dos cartões postais e dos filmes de amor, mas ontem permiti-me banhar apenas nas cenas felizes, com ilhas, eclusas, água, piscina, rio. O Sena é personagem central, velho, mudo.

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Foto tirada numa rua que corria em paralelo à margem de um riozinho em Treviso, 2004.

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Os Jardins de Luxembourg reluzem em branco e preto sob sol antigo. Cravo e cordas recriam “Plaisir d’amour”:

“Vem pra Paris comigo?”
“Já estamos lá”.

Sou grato aos irmãos Lumière porque eles inventaram o escurinho.

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